terça-feira, 1 de setembro de 2009

Como apaixonei pelo rádio

Desde 1966 tenho o hábito de escutar transmissões de rádio em ondas curtas, não tão assiduo como aqueles que hoje dedicam a Radio Escuta -  DX.  Esse hábito me levou até o radioamadorismo, hobby que pratico regularmente desde 1980.

Minha primeira escuta, na década de 60, era da Rádio Nacional do Rio. Meus familiares acompanhavam as novelas e o Repórter Esso em um rádio valvulado da Phillips. O rádio ficava na sala em cima de uma cristaleira, naquela casa velha ao lado da igreja em Santa Maria de Itabira, onde nasci e me criei.

Depois, ao entardecer no Bar de Sr. Silvio, estava eu com um grupo de pessoas, atentamente e em silêncio, ouvindo Jerônimo Herói do Sertão, radio-novela da Radio Nacional. Sem TV e outros meios de comunicação o rádio era indispensável, uma grande diversão e cultura.
Não havia rádinhos de pilha. Não eram todas as casas que tinham rádios porque custava caro.




RADIO GALENA

Antes de 1965 começei a me interessar por eletrônica. Em um livro velho li  sobre o radio de Galena, que dispensava alimentação, funcionava sem pilhas - um milagre da eletrônica.
Enrolei a bobina, arranjei um fone de alta impedancia e um condensador variável de sucata. O Zé Piorra, nosso vizinho explorava pedras preciosas em minas na Fazenda Espuma, de seu pai Ali Procópio. Através dele soube que lá tinha a pedra de galena. Poucos dias depois o Piorra me entregou aquele mineral.
Em uma pequena fundição de chumbo incrustei um pedacinho da pedra que funciona como um diodo de RF. Com um alfinete e uma mola eu já estava tentando sintonizar emissoras. E acabei escutando alguma coisa sim, não me lembro que emissora era.
> Veja sobre o radio Galena
Por incrível que pareça, a primeira estação de radioamador escutei neste galena. O operador era Sr. Antonio Furiatti, gerente da Cooperativa de Produtores de Leite de Santa Maria, recém implantada naquela cidade. Dois postes de eucalipto com mais de 15 metros e uma antena horizontal bem grande, devia ser para faixa de 80 metros.
A estação ficava na sala de sua casa do outro lado do rio, dava pra ver do fundo do quintal da minha casa no bairro Conselho, do lado oposto. Acho que era um Delta 310, lembro-me do apito entre a TX e RX e dos câmbios para Belo Horizonte. Ele passava recados para família e assuntos relacionados a Cooperativa. Nossa cidade ainda não era servida por telefonia naquela ocasião, só era possivel a comunicações via telegramas pelo ECT- Empresa de Correios e Telegrafos.
No galena só escutava o Sr. António, a estação de BH só poderia ser ouvida com maior sensibilidade, o que fiz mais tarde em receptores convencionais de ondas curtas.

Posteriormente passei a escutar radioamadores em radinhos de pilha. Lembro-me de um Motoradio de 6 faixas. Ouvia em AM nos 40 metros o PY4EE - Ennio, o PP1XM - Malta, outro radioamador de Teresópolis chamado João (este tinha um transmissor de 3 Kw.) Em 20 metros escutava o  Levi de Alvinópolis entre tantos que não recordo o prefixo e nome do operador.

Em um radio que eu mesmo montei sintonizava todas as tardes emissoras internacionais que transmitiam em português para o Brasil, como a Voz da América e Radio Moscou, destas enviava cartas e recebia cartões e revistas.

Não imaginava que seria um radiomador mais tarde. Longe de informações não tinha idéia de como estar habilitado pelo Anatel, adquirir o transmissor etc. Em 67, no final do curso no Instituto Monitor já com matérias sobre transmissão, havia referências sobre o assunto. Só em 1980 fiz provas e me tornei um radioamador. Meu primeiro transceptor foi um Delta 100, comprado em 12 prestações na Mesbla.

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